sábado, 20 de dezembro de 2014

A dor e o sopão

É bem sabido - e nisto nos deteremos em breve - que períodos de dor (física ou emocional, por si próprio, pelo outro)  podem levar ao emagrecimento. Deixa-se de comer, então, por esquecimento, porque comer enjoa ou mesmo se come pouco e mal, ante outras preocupações mais prementes,  e o corpo definha.


Exemplo disto foi a crise especialmente forte de enxaqueca que me acometeu três dias atrás e que me levou a uma emergência, em plena madrugada, de onde, após duas horas no soro, fui recambiada para casa, melhor disposta.

Aproveitei o ensejo - acrescido da circunstância simbólica que fora a primeira vez que frequentei um posto de atendimento nestas circunstâncias - e providenciei um sopão de legumes, para quem sabe, prover o organismo de uma 'desintoxicação alimentar' por alguns dias.
No primeiro dia, tudo bem: creio que a lembrança e o cansaço da dor recente realmente me amorteceram o apetite. 

No segundo, a fome apertou. Para manter o clima de desintoxicação, consumi algumas  maçãs...





No terceiro dia, veio aquela fraqueza. Além de outras frutinhas, permiti-me uma mísera torradinha.  
Que gostosa! Engrenei uma segunda, desta vez na grelha .. 
Aguentei até a noite com este combustível. Mas na minha 'hora do lobo' depois do jantar, zapeando pela TV, lá veio o vício. E aí foram muitas fatias, de cores diversas, com a manteiga generosa e acariciadora... 

 Bem , hoje é o quarto dia.... Acompanhamentos da experiência a serem registrados em breve...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Metade da fatia do bolo

E aqueles generosos 'restos' dos doces compartilhados em reuniões de amigos e guardados no eterno freezer, tentação sempre pendente sobre nossa pretendida sobriedade alimentar?

Ontem, na 'sobremesa' do jantar, ao invés da comedida fruta, que vontade de descongelar uma sobra de torta de chocolate! Em geral, eu não teria resistido a devorar a fationa toda. Afinal , para que voltar a congelar a 'metade' do que já é um resíduo ?

Não obstante, eu assim o fiz. E até que a tal 'metade' da 'fationa' não é tão pouco assim. Fica para outra sobremesa. Será este um efeito positivo da minha etapa de observação, no processo de reeducação alimentar?



terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Da roça a Paris

Na tentativa de retomada de uma alimentação 'normal' , não de fazer uma dieta, vários modelos-sabores se mesclam na minha 'vontade de um bom almoço' nos ensaios da experiência que evite a gula pura e simples.

Repito no prato da cidade o menu do sítio ( ver postagem anterior) tão completo e satisfatório em si mesmo.

Na mesa de fórmica da cozinha, suas vívidas cores esmaecem


Na tentativa  de me propiciar sabores gostosos que evitem a tal 'compensação gustativa exagerada ' depois, resolvo improvisar e me permitir uma mini-degustação de queijos, após o almoço comportado.  Adorava fazer isto, quando estava na França. E todos os franceses o fazem costumeiramente sem explodir as roupas ! Por que não posso me propiciar tal satisfação?

E vamos logo para um gorgonzola cheio de calorias - e de fortes texturas de sabor - na esperança de um só pedacinho cumprir a função imaginada.


Mas um pedacinho apenas é muito pouco para mim. Acabo, no sistema, "só mais uma lasquinha", comendo um queijinho quase inteiro.  Ah, ainda me custa muito renunciar ao que seria uma  quantidade maior que a 'necessária' para satisfazer o prazer gustativo,  

E não consigo entender bem o por quê desta defasagem, do jeito que estou procurando fazer, mais 'orgânico' do que 'intelectual', confiando mais em um reequilíbrio que venha das vísceras, evitando o tal do 'controle' que desvia uma força típica da cabeça para um lugar onde , cedo ou tarde, inadequada que é a tal função, ela será vencida.... 


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Comida do sítio

Ah, o nosso sítio na serra, tão verde e pleno de cores e flores, de aromas e ervas... 

E a dieta? Há mister de fazê-la? Ali se come o que a terra dá: o peixinho do açude,  a couve, a abóbora, o chuchu,...o suco da fruta da estação...  a farofa com ovo e banana e o aipim frito, quem resistir  a eles há de ? Precisa-se-ia? Não se trata da mais equilibrada tipica refeição brasileira?



À frente da varanda, o pasto sereno, vaquinhas pastando, o céu tão azul, a brisa que refresca o calor do verão... satisfeita a alma com os estímulos sensoriais tão variados, a gula arrefece...


... diante desta calma beleza, a singela comida só alimenta, na medida certa sacia a fome e o apetite.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Os almoços comemorativos de fim de ano

Difícil época esta para sequer observar a ingestão maior ou menor de calorias.

Exemplo: Almoço com amigos em um restaurante espanhol no Jardim Botânico, o Ibérico.

O formato do almoço executivo, que oferece por bom preço entrada e prato principal (R$ 42,00), permitindo a exclusão da sobremesa, seria incentivo ao comedimento da gula.




Mas  vejamos as vicissitudes da escolha:


Os ingredientes que constam da descrição da  entrada Escalivada trazem consigo o frescor da horta donde procederam...


Mas o prato vem imerso em azeite e os pãezinhos quentes que o acompanham são irresistíveis.


Os Calamares bradam sua aliança com inofensivas verdurinhas...

Mas outra vez, o azeite generoso inunda a receita de deliciosas - porém saudáveis ! - calorias.

O melhor é relaxar, ter a certeza de saber que se fez o melhor possível, em um restaurante espanhol e aproveitar a dobradinha boa comida- alegre companhia !!!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

mini-caminhadas

Com o calor inclemente, em função das obrigações a cumprir, em especial nos dias de semana ou "úteis", às vezes é mais difícil a caminhada "inteiriça" , que percorre trechos largos de natureza enquanto apenas o suor denota o esforço continuado.



Ao invés, a estratégia pode ser a de mini-caminhadas.

Ela é especialmente favorável a quem mora um pouco longe do comércio e quiçá em ladeiras e/ou prediozinhos antigos com escadas que acrescentam um fator extra de desgaste ao exercício.

Assim, de manhãzinha. se sai para a mini-caminhada e se volta antes do sol nos tostar o bestunto.

Depois, em um intervalo do trabalho, mini-caminhadas para as compras nos centros comerciais maiores: roupas, livros, material de informática.



 
Ao chegar em casa do trabalho - já é noite, o tempo está mais fresco - ou menos tórrido - um esforço extra e a passagem pelo Supermercado.

Contabilizamos, então, meia-hora + 15 minutos + 10 minutos e temos quase uma hora de caminhada !

domingo, 30 de novembro de 2014

Transgressões sob observação

A ideia geral da reeducação que propomos não é a de não mais transgredir, mas ao fazê-lo , exercitar um certo comedimento na volúpia transgressora.  Por exemplo, ontem, muito cansada e querendo aproveitar o sábado sem sair de casa,  senti uma fome desesperada , ao almoço, após minha pífia salada de sempre.  E não adiantaram a fruta, a gelatina e mesmo um bom pedaço de queijo. A tal fome só saciava com pão. e eu tinha justamente uma boa e muito variada reserva destes na geladeira, congelados após uma recente reunião com amigos.

E, ai de mim, não resisti. Comi um, comi dois, comi três... o quarto foi com manteiga. E o quinto com uma boa porção de pasta de chocolate. Só aí a fome aplacou. Será que eu estava com alguma carência específica de trigo, cevada ou algum dos outros ingredientes do pão? 

Em geral, eu aproveitaria tal 'ruptura na dieta" para me empanturrar de outras guloseimas antes de recomeçar a restrição alimentar . Mas como estes conceitos todos estão em suspensão, na minha observação e na minha prática, fiquei tentando observar se alguma outra 'fome' ou mesmo 'gula' apareceria durante o resto dia. Nada. Fui dormir tendo lanche-jantado  um yogurt e uma colher de geleia (light)  de pera. Dormi muito bem, como se estivesse plenamente satisfeita em termos de comida, coisa rara na minha vida de constantes regimes. 

Hoje acordei e recomecei minha alimentação sob observação sem maiores 'restrições compensatórias' ou desejos incontidos por mais comida 'de fim de semana' . Vamos ver até o fim do domingo... 


terça-feira, 25 de novembro de 2014

Exercícios ao ar livre e o calor


Os exercícios ao ar livre - o único que alguns de nós, um tanto alérgicos a academias, toleram - remetem  a um sopro de liberdade, a um movimento de insurreição aos limites inevitavelmente estritos da reeducação alimentar. Qualquer esforço maior, neste sentido, com o calor crescente do verão, é motivo, porém,  para um mal-estar físico e psicológico transmutado em suor intenso e ameaça de desfalecimento.



A saída é a caminhada, a corrida ou a natação o mais cedo possível, palmilhando a fímbria dos véus rosados da alvorada ou do crepúsculo.


domingo, 23 de novembro de 2014

O desafio do fim de semana

Fim de semana é difícil.  O esforço para manter a prática da RA (reeducação alimentar) diminui, parecendo que se alia, meio perversamente, com a necessidade de descansar  dos sobre-esforços de trabalho que frequentemente tivemos, durante a nem sempre útil semana dos cinco dias de labor.

 Embora creio que diminuí a quantidade de ingesta de bobagens, no sábado deste fim de semana, me sinto em pouco em débito com meu projeto, ao menos revendo o dia de ontem.

Como são muitos os blogs de dieta e similares,  enquanto não elaboro melhor  minhas próprias observações a respeito - a minha semana passada de labor foi exaustiva ! -, reproduzo aqui uma lista de conselhos de uma nutricionista (citando a fonte da consulta) que me pareceram interessantes.
Aliás, em nada obsta a uma pesquisa especificamente psicológica o conhecimento oriundo de outras áreas que também investigam a RA. Guardemos algumas destas orientações em uma memoriazinha paralela para as utilizarmos quando tivermos condições mentais para tal !

"Pensando no fim de semana, a nutricionista Carol Morais montou um guia de salvação para estes dias. Dicas para você manter a linha, sem perder o prazer da comida e da convivência.
 Seguem aí as dicas do Fale com a Nutricionista!

A favor de sua vida social pensei em 7 dicas para te ajudar a pensar mais saudável no final de semana:
1-Faça algum tipo de ATIVIDADE FÍSICA. Vale caminhar, correr, andar de bicicleta, enfim, o que não vale é dar descanso para o corpo quando você mais se alimenta. E tem energia de sobra para ir para a guerra ou construir uma casa. Exagero? Um pouco… Mas entendeu o raciocínio? Isso que importa…
2- Já que você vai comer feijoada , churrasco ou pizza, isso não significa que você deve “chamar a jaca de pantufa” e “comer para morrer”. Coma, saboreie, desfrute, participe e interaja, mas vá devagar, mastigue, e fique atento a PORÇÃO…Um pouquinho de cada coisa é sempre melhor…
3-Tente não abusar em todas as refeições. Se parar para pensar, temos, pelo menos 6 chances, contando sábado e domingo para comer além da conta… ESCOLHA UMA REFEIÇÃO e segure nas outras…
4- Cuidado com as BEBIDAS ALCOÓLICAS, tente não beber em todas as refeições, dê um tempinho pro seu corpo ir metabolizando e não sobrecarregue seu tão querido fígado.
5- ÁGUA!!! ÁGUA!! capriche na água, final de semana o corpo continua precisando de água para funcionar sabia? Pois é…
6- Aproveite, e principalmente, não sinta culpa, culpa também engorda.
7- Utilize o café da manhã para agregar nutrientes que irão auxiliar seu corpo a eliminar as toxinas. Faça um “SUCO COM TUDO DENTRO”.É uma opção SAUDÁVEL e PRÁTICA.
Você pode fazer a mistura do que tiver em casa, agregando além de FRUTAS (de preferência frescas), VEGETAIS (cenoura, beterraba…), folhas VERDES, ervas e brotos (couve, rúcula, salsa, hortelã, broto de alfafa) e alguma SEMENTE ou castanha (linhaça, gergelim, semente de melão…). Coloca tudo dentro do liquidificador e deixar ele trabalhar. NÃO COE, coar retira as fibras e todos os componentes reguladores que ficam ali grudadinhos nelas. Outra boa dica é colocar um pedacinho de GENGIBRE, o gengibre nos sucos adoça e refresca. Você também pode utilizar ÁGUA DE COCO no lugar da água ou SUCO DE UVA." INTEGRAL ORGÂNICO."








quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Um lugar para onde regressar

Talvez um dos aspectos mais difíceis da etapa da Observação - planejada, a princípio para durar um mês - é de ser uma fase deliberadamente isenta de qualquer pretensão de dieta. Re-educação alimentar sim, de acordo com a especificidades dos gostos e necessidades orgânicas e simbólicas de cada praticante. A mera  tarefa de diferenciar uma de outra é o desafio desta fase.

Pois é imprescindível que haja um lugar para onde se regressar - um regime de alimentação ( e hábitos paralelos a ela outros como os de exercício) estável e agradável - após a inevitável dieta, que dever-se-á seguir, para a perda dos quilos em excesso. Tal excesso de peso deve ser suportado no primeiro momento desta reeducação psicológica. Não é recomendável sequer se proceder a pesagens.

Pois a prática habitual de dietas adormece a sensibilidade para com as reais necessidades do corpo. Ou se come muito pouco ou em demasia, nas ' pós-frustrações' da carência alimentícia.

Não é fácil, naturalmente, e se deve contar com muitas alternâncias de percepções e com as inevitáveis transgressões desta fase. Altos e baixos já se alternam aqui, como em todas as tentativas deliberadas de transformação. O rumo a seguir agora é de tentar manter presente a meta de se reconciliar com as reais necessidades - sempre orgânicas e simbólicas -  do corpo para se manter saudável e satisfeito. Este é o contorno central a ser mantido claro no processo de observação, como as margens nítidas de vegetação fértil que separam a estrada dos vários terrenos que a circundam.

Naturalmente, os - MUITOS - conhecimentos que o praticante tem de alimentos mais ou menos calóricos e/ou saudáveis em suas múltiplas combinações e intervalos de ingestão, segundo inumeráveis variações, serão chamados a prestar suas devidas contribuições ao longo deste processo.

Mas isto é matéria para outra postagem.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Observação: Manter presente o desconforto

Esta estratégia do nosso método me veio à inspiração semana passada.  Precisando me vestir melhor para uma palestra, coloquei um vestido chique que me ficava muito bem , "certinho no corpo" alguns (poucos) anos atrás. Estava 'grudado' ;  ou seja,  se não chegava a sublinhar agressivamente as gorduras, como na foto, deixava entrever, na região entre estômago e quadris, um volume compacto, feito das arredondadas carnes contidas pela cinta em um bloco,   negando à silhueta um mínimo de elegante esbeltez.

Por alguns dias, nas minhas horas de gulodice exagerada (em geral, à noite), a lembrança de tal  efeito estético infeliz e o desejo de recuperar aquele antigo favorável, me contiveram a ingestão compulsiva.
Foram só alguns dias, mas durante eles a observação manteve-se presente, influenciando em seu nascedouro a vontade. Quase que naturalmente, a esganação era contida ante a imagem desagradável vivamente retomada pela lembrança. 

Alguns dias depois, sentindo este movimento interno começar a se esvanecer, tentei fazer do mesmo vestido novo gatilho para a motivação desencadeada, agora em uma ocasião social. Desta vez não funcionou bem, foi como se a tática perdesse sua força quando repetida muito próxima. 

Proposta para nossa pesquisa: não gastar a força efetiva de uma observação acuradamente introjetada. Alterná-la com outras táticas de natureza psicológica. 

domingo, 9 de novembro de 2014

Trocando de algozes: o queijo e o chocolate

Qualquer alimento a que tenhamos adicção se torna um tirano que, retendo-nos nas cadeias da gulodice desmensurada, nos impede o seu livre  (ou seja, moderado e adequado, de acordo com reais fome-apetite) consumo.

Parte do exercício de observação  a que nos propomos é verificar detalhes de sua ocorrência, entendendo-lhe as dinâmicas. Assim, informados de que queijo e chocolate (junto com bebidas alcoólicas) têm sua ingestão influenciada por áreas muito próximas dos centros de prazer do cérebro, observamos quão fácil é substituir um tipo de gulodice por outra.


 Queijólatras que somos, não conseguindo conciliar o sono sem ingerir quantidades excessivas deste  leite saborosamente putrefato, constatamos que algumas (grossas) fatias de deliciosas tortas de chocolate suprimem tal necessidade. Não que seja menos danoso em termos de calorias, mas quem sabe esta constatação nos sugira outras estratégias, em termos de fruição de prazeres?



Nota: Para especialistas em gastronomia, a nova tendência para combinações em 2014 é entre dois ingredientes inusitados, e que tem sabores completamente opostos: queijo e chocolate. Os especialistas são da Great British Chefs, e as informações foram divulgadas pelo jornal britânico Daily Mail. 
Comentário nosso: Isto é que é saturar de orgasmos gustativos as áreas de prazer do cérebro! 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O dia seguinte à fartura

A nossa conduta alimentícia no dia seguinte a comer um pouco - ou muito -  mais que o usual  por motivo de regozijo (ver postagem de ontem), nos dá uma pista acerca de como reconhecemos intimamente o que se passou neste dia.

Continuar a comilança ou se propor a um jejum 'compensatório' implicariam em destituir este dia de seu legítimo sentido de generosidade, em vários níveis, e , retroativamente que seja, reduzi-lo a preenchimento de vazio (ou no caso do jejum a evitar este reconhecimento).

Voltemos ao movimento cotidiano de observação e atenção ao que, em nosso universo de pensamentos e emoções, acompanha o ritmo de nossas ingestões e exercícios.

domingo, 2 de novembro de 2014

Churrasco comemorativo

Há ocasiões muito especiais em que qualquer dieta ou atenção alimentar que 'restrinja' é indesejável e impossível ! Por exemplo,  um churrasquinho comemorativo do final de obras que duraram três anos, com a nata dos obreiros e os antigos caseiros, no sítio...

E depois das carnes com fartura - ah como é bom ter a fome , o apetite e a segurança da pertinência psicológica deste 'preencher o vazio' asseguradas ! - aproveitar a abundância que as jabuticabeiras oferecem de nossa dulcíssima blackberry numa descansada sobremesa!

Situações excepcionais pedem que saiba bem diferenciar o fugir do Vazio para o apreciar o Pleno !!!


terça-feira, 28 de outubro de 2014

Primeira etapa: Observação

Em geral, começamos uma dieta e/ou reeducação alimentar por afinidade com as proposta do que me vai provocar  'menos fome' ou de 'maior simpatia pelos tipos de alimentos permitidos'. Mas o que tenho 'me permitido" ultimamente? São tantas dietas, há tanto tempo!  Já não sei do que gosto mais ou menos, senão pelo viés do 'abuso do permitido' e da desforra no proibido'. Alterno períodos de pradarias infinitas de saladas ou quilos de cortes bovinos e galináceos sem gordura com pantagruélicas ingestões de chocolates, paçocas e sorvetes.

Ao lado faminto corresponde sempre aquele glutão 
Não reconheço mais o que meu organismo como um todo estaria precisando, o que me provoca sono ou mais fome ainda. Se o que sinto é sede, se é fome, se é gula, se é só o preencher um momento de tédio ou de preguiça de fazer coisa chata e útil, paralelo, em geral, a olhar (sem ver sequer)  qualquer coisa na televisão.

Que tal desistir por um tempo do controle da balança e me observar e conversar com minhas modalidades e frequências de ingestão? Relacioná-lo com o que faço em seus intervalos ou mesmo durante elas ? Não vai deixar de haver - o hábito mental é forte - uma certa tensão em relação às calorias que este ou aquele alimento acumula ou poupa. Mas sua tônica em minha atitude pode ser mais frágil do que aquela que incita à sua constante transgressão.

E a observação em si mesma - o menos viciada por minhas expectativas e receios possível ! -  me parece um exercício interessante.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Invertendo expectativas e ritmos

A maioria das dietas e reeducações alimentares começam com um 'choque' nos hábitos. Alguns dias de sopão de legumes, para limpar o organismos. Uma semana  só de carboidratos para queimar os excessos de quilos  e -  ante resultados visíveis -  'ganhar ânimo' para os próximos sacrifícios. O ritmo mecânico que caracteriza nosso cotidiano, a pressa ansiosa pelo resultado são suas características. Ignora-se que, se o acúmulo de gorduras veio gradualmente, para dissolvê-lo efetivamente, impõe-se um outro tipo de 'comando' ao organismo.
 Neste nosso projeto, não há pressa. O resultado externo não é a prioridade: a obtenção dos dificílimos ganhos duradouros busca outra lógica. O tempo que se adeque a nossa capacidade de observação e percepção e conhecimento de nossas conexões fome-gula-apetite, satisfação de necessidades, usos e abusos do prazer gustativo e detalhes que tais.


Faz parte do projeto uma dupla visão de nossa correria rumo a resultados e do quão ela é inútil e superficial, face a dar consistência e justificativa a uma dieta a cada um de nós adequada, nos seus muitos níveis de se prestar positivamente  à saúde, à estética e a um senso pessoal de capacidade de realização de um objetivo. Todas estas vias simbólicas se interpenetram e confundem ante nossa limitada capacidade de observação e de entendimento. Foquemo-nos no aguçamento desta condição de apreensão e sejamos pacientes conosco mesmos. 


E um senso do lúdico e de ligeiramente absurdo deve permear nossa auto-crítica. Sejamos carinhosos com nossa impaciência e não confundamos encontrar o nosso ritmo com preguiça.  Não é para ser sofrido ! 

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sábado, 25 de outubro de 2014

Quem somos

Somos a intuição de que o elemento mental fundamental para se conseguir seguir uma dieta é o entendimento de que nenhum alimento vai preencher o tipo de vazio que o glutão (mesmo aquele, admitindo o vício em pequena escala,  se considera apenas 'guloso') evita. Receba este vazio o de nome de  'desesperança', 'tédio' ou 'busca de prazer' e receba o impulso que tenta apaziguá-lo o de 'fome' (saber distinguir a fisiológica da psicológica é vital aqui!), de 'gula' (na versão pantagruélica ou naquela 'gourmet') ou de mera ação reflexa de deglutir em estado de semi-inconsciência da atenção.
(lembremo-nos que uma das situações fisiológicas em que não há possibilidade de se experimentar a ansiedade é a de engolir - quando extremamente ansiosos nem saliva nos desce pela garganta. Donde, para evitar a ansiedade, podemos deglutir sem cessar. Esta  foi um dos mais perenes ensinamentos que me ficou de uma Pós em Neurociências).  

Somos a tentativa de, ao nos comunicarmos conosco mesmo - e com qualquer Outro que acredite nesta intuição - sobre este assunto, sobre este equivocado anseio e o paralelo desejo de ir além dele , conseguirmos desfazer, pouco a pouco, esta conexão mental , ou seja: a de que comendo consigamos suprir um vazio de ordem psicológica.

Somos este movimento reflexivo que ensaia uma nova relação corpo-espírito no que diz respeito a uma verdadeira "reeducação alimentar',  a par de uma percepção constante das dinâmicas psicológicas que a estariam sabotando. Procuramos 'ir além' dos diferentes tipos de disciplinas coercitivas e mal-sucedidas que seriam traduzíveis por 'impor-se uma dieta'. Já o fizemos muitas vezes e não deu resultados duradouros. Sob o ponto de vista objetivo, estamos altamente informados das múltiplas possibilidades de escolha de alimentos mais ou menos calóricos, em quantidades mais ou menos abundantes, em horários mais ou menos espaçados...  sabemos dos ganhos paralelos dos exercícios, dos sobre-esforços, até mesmos dos momentos de tensão exagerada que conduzem a paradoxais ( e passageiras, em geral) "perdas de peso por conta de situações de lutos ou stresses similares". No momento, escolhemos um modelo mais tradicional de 'alimentação onívora controlada' com ingestão moderada de carboidratos. mas este não é o foco deste blog.


Este blog visa a que eu me obrigue a conversar comigo mesma sobre a fome e o vazio, o vazio e a dieta, suas variações, seus correlatos etc. Seja esta reflexão a mais privada possível - no sentido de que para mim ela não visaria (acho) publicidade (todavia companheiros que partilhem esta intuição seriam certamente bem vindos/as) - ao se tornar pública pelo simples fato de se expressar através de um blog ela se beneficia de um tom de compromisso para com um projeto. Devo utilizar a meu favor um outro tipo de disciplina que me é muito mais fácil de seguir: aquela para com meus projetos intelectuais. Um truque, sem dúvida, mas nada me custa nele apostar.

Se preferirmos nos exprimir por metáforas poéticas - forma bem mais inteligente de preencher um vazio - vamos nos dedicar a uma mágica que jogue com o que é pleno e o que é vazado!

Não quero ir a mais endocrinologistas ou nutricionistas, investir tempo e energia em planejamentos que não levam em consideração o que me parece agora ser o fator crucial de minha falência em me alimentar adequadamente. Ou seja, que a minha dieta alimentar seja mais coerente com o que eu também considero uma vida mais bem vivida, pois capaz de enfrentar os existenciais vazios e não de insistir em tentar evitá-los de maneira tão primária e autopunitiva como com a ingestão demasiada de comida.

Bem, esta é a primeira página desta história a ser escrita. Vamos ver como se sucederão os próximos capítulos.