domingo, 30 de novembro de 2014

Transgressões sob observação

A ideia geral da reeducação que propomos não é a de não mais transgredir, mas ao fazê-lo , exercitar um certo comedimento na volúpia transgressora.  Por exemplo, ontem, muito cansada e querendo aproveitar o sábado sem sair de casa,  senti uma fome desesperada , ao almoço, após minha pífia salada de sempre.  E não adiantaram a fruta, a gelatina e mesmo um bom pedaço de queijo. A tal fome só saciava com pão. e eu tinha justamente uma boa e muito variada reserva destes na geladeira, congelados após uma recente reunião com amigos.

E, ai de mim, não resisti. Comi um, comi dois, comi três... o quarto foi com manteiga. E o quinto com uma boa porção de pasta de chocolate. Só aí a fome aplacou. Será que eu estava com alguma carência específica de trigo, cevada ou algum dos outros ingredientes do pão? 

Em geral, eu aproveitaria tal 'ruptura na dieta" para me empanturrar de outras guloseimas antes de recomeçar a restrição alimentar . Mas como estes conceitos todos estão em suspensão, na minha observação e na minha prática, fiquei tentando observar se alguma outra 'fome' ou mesmo 'gula' apareceria durante o resto dia. Nada. Fui dormir tendo lanche-jantado  um yogurt e uma colher de geleia (light)  de pera. Dormi muito bem, como se estivesse plenamente satisfeita em termos de comida, coisa rara na minha vida de constantes regimes. 

Hoje acordei e recomecei minha alimentação sob observação sem maiores 'restrições compensatórias' ou desejos incontidos por mais comida 'de fim de semana' . Vamos ver até o fim do domingo... 


terça-feira, 25 de novembro de 2014

Exercícios ao ar livre e o calor


Os exercícios ao ar livre - o único que alguns de nós, um tanto alérgicos a academias, toleram - remetem  a um sopro de liberdade, a um movimento de insurreição aos limites inevitavelmente estritos da reeducação alimentar. Qualquer esforço maior, neste sentido, com o calor crescente do verão, é motivo, porém,  para um mal-estar físico e psicológico transmutado em suor intenso e ameaça de desfalecimento.



A saída é a caminhada, a corrida ou a natação o mais cedo possível, palmilhando a fímbria dos véus rosados da alvorada ou do crepúsculo.


domingo, 23 de novembro de 2014

O desafio do fim de semana

Fim de semana é difícil.  O esforço para manter a prática da RA (reeducação alimentar) diminui, parecendo que se alia, meio perversamente, com a necessidade de descansar  dos sobre-esforços de trabalho que frequentemente tivemos, durante a nem sempre útil semana dos cinco dias de labor.

 Embora creio que diminuí a quantidade de ingesta de bobagens, no sábado deste fim de semana, me sinto em pouco em débito com meu projeto, ao menos revendo o dia de ontem.

Como são muitos os blogs de dieta e similares,  enquanto não elaboro melhor  minhas próprias observações a respeito - a minha semana passada de labor foi exaustiva ! -, reproduzo aqui uma lista de conselhos de uma nutricionista (citando a fonte da consulta) que me pareceram interessantes.
Aliás, em nada obsta a uma pesquisa especificamente psicológica o conhecimento oriundo de outras áreas que também investigam a RA. Guardemos algumas destas orientações em uma memoriazinha paralela para as utilizarmos quando tivermos condições mentais para tal !

"Pensando no fim de semana, a nutricionista Carol Morais montou um guia de salvação para estes dias. Dicas para você manter a linha, sem perder o prazer da comida e da convivência.
 Seguem aí as dicas do Fale com a Nutricionista!

A favor de sua vida social pensei em 7 dicas para te ajudar a pensar mais saudável no final de semana:
1-Faça algum tipo de ATIVIDADE FÍSICA. Vale caminhar, correr, andar de bicicleta, enfim, o que não vale é dar descanso para o corpo quando você mais se alimenta. E tem energia de sobra para ir para a guerra ou construir uma casa. Exagero? Um pouco… Mas entendeu o raciocínio? Isso que importa…
2- Já que você vai comer feijoada , churrasco ou pizza, isso não significa que você deve “chamar a jaca de pantufa” e “comer para morrer”. Coma, saboreie, desfrute, participe e interaja, mas vá devagar, mastigue, e fique atento a PORÇÃO…Um pouquinho de cada coisa é sempre melhor…
3-Tente não abusar em todas as refeições. Se parar para pensar, temos, pelo menos 6 chances, contando sábado e domingo para comer além da conta… ESCOLHA UMA REFEIÇÃO e segure nas outras…
4- Cuidado com as BEBIDAS ALCOÓLICAS, tente não beber em todas as refeições, dê um tempinho pro seu corpo ir metabolizando e não sobrecarregue seu tão querido fígado.
5- ÁGUA!!! ÁGUA!! capriche na água, final de semana o corpo continua precisando de água para funcionar sabia? Pois é…
6- Aproveite, e principalmente, não sinta culpa, culpa também engorda.
7- Utilize o café da manhã para agregar nutrientes que irão auxiliar seu corpo a eliminar as toxinas. Faça um “SUCO COM TUDO DENTRO”.É uma opção SAUDÁVEL e PRÁTICA.
Você pode fazer a mistura do que tiver em casa, agregando além de FRUTAS (de preferência frescas), VEGETAIS (cenoura, beterraba…), folhas VERDES, ervas e brotos (couve, rúcula, salsa, hortelã, broto de alfafa) e alguma SEMENTE ou castanha (linhaça, gergelim, semente de melão…). Coloca tudo dentro do liquidificador e deixar ele trabalhar. NÃO COE, coar retira as fibras e todos os componentes reguladores que ficam ali grudadinhos nelas. Outra boa dica é colocar um pedacinho de GENGIBRE, o gengibre nos sucos adoça e refresca. Você também pode utilizar ÁGUA DE COCO no lugar da água ou SUCO DE UVA." INTEGRAL ORGÂNICO."








quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Um lugar para onde regressar

Talvez um dos aspectos mais difíceis da etapa da Observação - planejada, a princípio para durar um mês - é de ser uma fase deliberadamente isenta de qualquer pretensão de dieta. Re-educação alimentar sim, de acordo com a especificidades dos gostos e necessidades orgânicas e simbólicas de cada praticante. A mera  tarefa de diferenciar uma de outra é o desafio desta fase.

Pois é imprescindível que haja um lugar para onde se regressar - um regime de alimentação ( e hábitos paralelos a ela outros como os de exercício) estável e agradável - após a inevitável dieta, que dever-se-á seguir, para a perda dos quilos em excesso. Tal excesso de peso deve ser suportado no primeiro momento desta reeducação psicológica. Não é recomendável sequer se proceder a pesagens.

Pois a prática habitual de dietas adormece a sensibilidade para com as reais necessidades do corpo. Ou se come muito pouco ou em demasia, nas ' pós-frustrações' da carência alimentícia.

Não é fácil, naturalmente, e se deve contar com muitas alternâncias de percepções e com as inevitáveis transgressões desta fase. Altos e baixos já se alternam aqui, como em todas as tentativas deliberadas de transformação. O rumo a seguir agora é de tentar manter presente a meta de se reconciliar com as reais necessidades - sempre orgânicas e simbólicas -  do corpo para se manter saudável e satisfeito. Este é o contorno central a ser mantido claro no processo de observação, como as margens nítidas de vegetação fértil que separam a estrada dos vários terrenos que a circundam.

Naturalmente, os - MUITOS - conhecimentos que o praticante tem de alimentos mais ou menos calóricos e/ou saudáveis em suas múltiplas combinações e intervalos de ingestão, segundo inumeráveis variações, serão chamados a prestar suas devidas contribuições ao longo deste processo.

Mas isto é matéria para outra postagem.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Observação: Manter presente o desconforto

Esta estratégia do nosso método me veio à inspiração semana passada.  Precisando me vestir melhor para uma palestra, coloquei um vestido chique que me ficava muito bem , "certinho no corpo" alguns (poucos) anos atrás. Estava 'grudado' ;  ou seja,  se não chegava a sublinhar agressivamente as gorduras, como na foto, deixava entrever, na região entre estômago e quadris, um volume compacto, feito das arredondadas carnes contidas pela cinta em um bloco,   negando à silhueta um mínimo de elegante esbeltez.

Por alguns dias, nas minhas horas de gulodice exagerada (em geral, à noite), a lembrança de tal  efeito estético infeliz e o desejo de recuperar aquele antigo favorável, me contiveram a ingestão compulsiva.
Foram só alguns dias, mas durante eles a observação manteve-se presente, influenciando em seu nascedouro a vontade. Quase que naturalmente, a esganação era contida ante a imagem desagradável vivamente retomada pela lembrança. 

Alguns dias depois, sentindo este movimento interno começar a se esvanecer, tentei fazer do mesmo vestido novo gatilho para a motivação desencadeada, agora em uma ocasião social. Desta vez não funcionou bem, foi como se a tática perdesse sua força quando repetida muito próxima. 

Proposta para nossa pesquisa: não gastar a força efetiva de uma observação acuradamente introjetada. Alterná-la com outras táticas de natureza psicológica. 

domingo, 9 de novembro de 2014

Trocando de algozes: o queijo e o chocolate

Qualquer alimento a que tenhamos adicção se torna um tirano que, retendo-nos nas cadeias da gulodice desmensurada, nos impede o seu livre  (ou seja, moderado e adequado, de acordo com reais fome-apetite) consumo.

Parte do exercício de observação  a que nos propomos é verificar detalhes de sua ocorrência, entendendo-lhe as dinâmicas. Assim, informados de que queijo e chocolate (junto com bebidas alcoólicas) têm sua ingestão influenciada por áreas muito próximas dos centros de prazer do cérebro, observamos quão fácil é substituir um tipo de gulodice por outra.


 Queijólatras que somos, não conseguindo conciliar o sono sem ingerir quantidades excessivas deste  leite saborosamente putrefato, constatamos que algumas (grossas) fatias de deliciosas tortas de chocolate suprimem tal necessidade. Não que seja menos danoso em termos de calorias, mas quem sabe esta constatação nos sugira outras estratégias, em termos de fruição de prazeres?



Nota: Para especialistas em gastronomia, a nova tendência para combinações em 2014 é entre dois ingredientes inusitados, e que tem sabores completamente opostos: queijo e chocolate. Os especialistas são da Great British Chefs, e as informações foram divulgadas pelo jornal britânico Daily Mail. 
Comentário nosso: Isto é que é saturar de orgasmos gustativos as áreas de prazer do cérebro! 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O dia seguinte à fartura

A nossa conduta alimentícia no dia seguinte a comer um pouco - ou muito -  mais que o usual  por motivo de regozijo (ver postagem de ontem), nos dá uma pista acerca de como reconhecemos intimamente o que se passou neste dia.

Continuar a comilança ou se propor a um jejum 'compensatório' implicariam em destituir este dia de seu legítimo sentido de generosidade, em vários níveis, e , retroativamente que seja, reduzi-lo a preenchimento de vazio (ou no caso do jejum a evitar este reconhecimento).

Voltemos ao movimento cotidiano de observação e atenção ao que, em nosso universo de pensamentos e emoções, acompanha o ritmo de nossas ingestões e exercícios.

domingo, 2 de novembro de 2014

Churrasco comemorativo

Há ocasiões muito especiais em que qualquer dieta ou atenção alimentar que 'restrinja' é indesejável e impossível ! Por exemplo,  um churrasquinho comemorativo do final de obras que duraram três anos, com a nata dos obreiros e os antigos caseiros, no sítio...

E depois das carnes com fartura - ah como é bom ter a fome , o apetite e a segurança da pertinência psicológica deste 'preencher o vazio' asseguradas ! - aproveitar a abundância que as jabuticabeiras oferecem de nossa dulcíssima blackberry numa descansada sobremesa!

Situações excepcionais pedem que saiba bem diferenciar o fugir do Vazio para o apreciar o Pleno !!!