Meses depois, pouca coisa mudou. O peso - presumível pela roupa, que continua um pouco apertada, nos mesmos lugares - parece ter-se mantido estanque. Como não me peso, devo estar entre cinco e dez quilos acima do desejável.
Mas cada vez acho mais que uma modificação mais profunda é necessária para que o corpo a acompanhe. A comida - apenas um pouco excessiva - precisa deixar de ser compensação. Mas não é possível forçar isto de fora para dentro. O movimento precisa ser ao avesso...
Pode-se 'programar uma transformação mais profunda'? Podemos sempre esperar que algo aconteça neste sentido dada a mutabilidade essencial da vida e nossa natural resistência à mudança. Mas devemos estra atentos a 'aproveitar a oportunidade'. É o que estou tentando fazer agora, neste momento em que algumas vicissitudes pessoais transtornam meus horizontes de expectativas estáveis. Mas não são desesperadoras o bastante para a situação de 'perda total da fome' que
tantas vezes propicia rápidos e significativos emagrecimentos, mantidos ou não após a crise.
É difícil este projeto, neste momento, porque após uma semana particularmente penosa, a tendência homeostática leva a querer recuperar a comodidade segundo os antigos padrões, muito em torno da gratificação oral. Uma saída possível - pelo menos a que percebo agora, em mim mesma - é um cansaço, um desgosto, por este padrão regressivo, a quem responsabilizamos também pelas vicissitudes citadas...
Será possível capturar este movimento íntimo e transformá-lo em ação não- regressiva' também em termos de alimentação ?
